10 de maio de 2008

Praia Triste


Depois de alguns dias fotografando na praia de bombinhas a pesca da tainha, com todo o seu ritual num cenário maravilhoso ao nascer do sol, resolvi fazer um programa diferente e conhecer a pé as praias mais isoladas da região, pois queria fotografar um cenário de praias sem a intervenção de construções humanas. A intenção era também caminhar em meio à natureza e, contemplando-a, receber sua energia divina, numa espécie de meditação. Amélia optou por ficar em Bombinhas e curtir alguns momentos só.


A caminhada começou no canto da praia de Zimbros onde um casal de moradores locais me indicou o início da trilha. Poucos metros adiante do seu início eu já estava envolto pelo som das ondas suavemente se chocando contra as pedras, com o canto dos pássaros, com o cheiro úmido e verde da mata. Os mosquitos estavam em toda parte por isso eu não podia ficar muito tempo parado senão eu seria devorado rapidamente, eu havia me esquecido de passar repelente. Mas isso não tinha muita importância, o bom era simplesmente estar ali! E ainda por cima agraciado com a presença de alguns exóticos pássaros cantando, mas agitados com a minha presença, inclusive um Carcará e um outro gavião branco que eu nunca havia visto.
Depois de alguns minutos cheguei na praia do Cardoso, a primeira de uma das cinco praias que fariam parte da caminhada, e apesar da sua beleza e tranqüilidade, me decepcionei. A praia linda e deserta estava repleta de materiais plásticos, principalmente garrafas pets. Me lembrei de alguns meses atrás ter lido uma matéria na revista Veja sobre este assunto e hoje me senti ainda mais na obrigação de escrever algo sobre isso. Continuando a caminhada cheguei na segunda praia, a do Bazílio, nesta havia um pequeno lago de rara beleza, lá tive a mesma decepção, havia muitas garrafas boiando em suas margens! Mais uma vez me vieram sentimentos de responsabilidade por isso. Na terceira praia imaginei que não seria diferente, mas desta vez a surpresa maior veio por conta da placa que logo na chegada indicava o nome da praia, Praia Triste, daí veio a inspiração para esta reflexão. Provavelmente muito do lixo que encontrei nessas praias não foram jogados ali por turistas, vieram de outros lugares trazidos pelas marés, provavelmente até de lixões que quando “estouram” devido às fortes chuvas, espalham-se pelos oceanos e ficam a mercê das correntezas. Me lembro que quando eu morei em Noronha e fazíamos caminhadas para as praias do mar de fora encontrávamos restos plásticos com rótulos de outros países, até do Japão!


Hoje não temos que nos preocupar só com o que fazemos com o lixo que produzimos, mas com o quanto de lixo produzimos, se realmente precisamos produzir tanto e que alternativas podemos utilizar. Já faz alguns anos que parei de beber refrigerantes por razões de manutenção da minha saúde, já que tomei consciência do mal que essas bebidas fazem, não só pelo açúcar mas por todos os “antes” que estão em sua composição: corantes, acidulantes, aromatizantes, espessantes... Além disso sinceramente considero um grande pecado trocar as frutas e os sucos deliciosos que podemos fazer por todos esses “antes”, lembrando que esses sucos industrializados também os têm, além de suas embalagens metálicas por dentro, que não poderem ser recicladas e demoram centenas de anos para se degradarem. Para aqueles que usam a desculpa da preguiça de espremer uma fruta, que tal morder uma melancia?! Meu Deus, já é um suco pronto!
Quando li “Praia Triste”, entendi aquela praia.

Nós usufruímos da fartura que a natureza nos oferta e só retribuímos com lixo. É hora de repensarmos a maioria dos nossos hábitos relacionando-os ao impacto ambiental que causam. E sugiro aqui começarmos pelo mais elementar e necessário: os hábitos alimentares.

Citei o exemplo dos refrigerantes pois me deparei com todas as “pets” na praia, e isso realmente me sensibilizou, mas podemos e devemos estender esta atenção e reflexão para muito além, basta vontade!
Somos todos capazes de realizar grandes mudanças!

5 comentários:

Anônimo disse...

João,
Que triste mesmo!
fiquei imaginando um cenário maravilhoso de beleza natural, e todo o lixo para estragar essa beleza, isso é chocante mesmo, vc aí em praias desertas tendo essa visão "dolorosa". Sentimento de profunda tristeza.
comentando de Noronha, no meio do Oceano, vendo lixo de outros países...me fez refletir ainda mais sobre nós que estamos nas cidades grandes, e que de repente "tão acostumados/errados" com essa degradação, com tanto lixo, construções, consumo,tristeza, muita tristeza.
A Mãe Natureza, Criadora, Provedora, Acolhedora que precisa ser CUIDADA. E aí lembrei do Cuidado Essencial, do Saber Cuidar (Leonardo Boff), devemos ter o Cuidado essencial de tratar os nossos semelhantes, de forma amável, e por um desenvolvimento integral (que tanto foi falado no Encontro do Bem, que tivemos juntos), enfim da "reverberação" que acontece em todo Planeta. É preciso elevar o nível de consciência e entender o TODO, (para que saibamos que "Somos todos Um") e não esperar a Natureza gritar.
que bom que existem pessoas como você,(meu amigo João), que Abraça e Reverencia a Natureza com profundo sentimento de Gratidão. Obrigada!
Um beijo grande, Rachel
*Luz no seu Caminho!

Anônimo disse...

João,

Para completar, pensei muito na letra Sal da Terra, de Beto Guedes, que é uma música que amo, e que encaixa nesse seu texto.
beijos, Rachel

Sal da Terra
Composição: Beto Guedes - Ronaldo Bastos

Anda, quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar
Tempo, quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo
Pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver
A paz na Terra, amor
O pé na Terra
A paz na Terra, amor
O sal da Terra
Terra, És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã
Canta, leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com teus frutos
Tu que és do homem a maçã
Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois
Deixa nascer o amor
Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor
Deixa viver o amor
(O sal da terra)

Anônimo disse...

Amélia adorei!!! voces estão muito lindos e felizes... Parabéns!!!
Obrigada por nos fazer acompanhar essa viagem (aventura) maravilhosa que voces estão vivenciando.
bjos
Martha

Tah disse...

João,

Acabo de ler teu relato, eu conheci essa trilha em Janeiro de 2006, confesso q na época não havia tanto lixo, encontramos tanto nas trilhas, qto nas praias alguns materiais deixados pelos pescadores, logo eles que dependem do mar pra sobreviver não fazem a sua parte.
Infelizmente é assim, quase q no mundo todo, as pessoas não se preocupam em fazer a sua parte, mas torcemos para que essa realidade mude.

Parabéns pelo blog.

diane disse...

Tive o prazer de fazer essa mesma trilha com meus filhos marido e irmão, chegamos a acampar na Praia Triste, nos banhamos na cachoeira que lá existe,maravilhoso depois da caminhada refez nossas forças, nunca tomei banho tão gostoso nos meus 33 anos de existência neste planeta, pena ter q fazer a mesma constatação sua João,é muito triste ver paraisos desertos lindos abitados por tanto lixo produzido por nós seres "humanos",fiquei desolada ao ver tanta pet nas areias e entornos de matas e lagos.Fiz questão de voltar carregando todo o lixo produzido por nós e o q mais pudemos carregar e conversar muito com meus filhos sobre o assunto mas isso parece tão pouco tão insignificante perante aos muitos q não fazem nada nem mesmo a sua parte, mas é muito bom saber q existem pessoas como você, espero q prospere muito nesta tua missão
Abraços