7 de novembro de 2008

A vida acumulando lixo.

Faz tempo que não escrevo.

Viver Noronha foi uma experiência intensa e muito pessoal, por isso ainda não consegui desenvolver um texto sobre o 1 mês e 10 dias que por lá passamos.
Desde que voltamos na semana passada, tenho trabalhado em eventos para meus pais e o João está agitando alguns últimos detalhes do livro que ficaram pendentes.
Retornaremos à viagem na semana que vem ou na próxima. Estamos ansiosos e com saudades da estrada.

Bem, fiquei com vontade de colocar minha cara aqui de novo pra continuar falando do lixo. Assunto mais do que discutido entre eu e o João nas últimas semanas.Todo esse lance de coleta de lixo, de acúmulo de lixo, de consumo de lixo, de LIXO como um todo, é recente pra mim.
Como quase tudo que tenho vivido ultimamente é recente pra mim.
E como quase tudo que tenho vivido ultimamente, o assunto é forte, importante e essencial para uma vida equilibrada.
O lixo é um tapa na minha cara sobre a minha falta de atenção à valores primordiais pra uma vida neste planeta.
E não to aqui defendendo o planeta, to aqui defendendo a vida. A minha vida, a sua vida e, sim, a vida da folha, do peixe, da fruta.

Antes, quando eu trabalhava 12 horas por dia e vivia um stress constante, eu não pensava no lixo. Simplesmente não pensava. Não tinha tempo, eram outras as minhas preocupações. Eu entendo portanto os que ainda não se preocupam. A ficha ainda não caiu. Não deu tempo. São mesmo muitas as nossas responsabilidades na vida moderna.
Mas então já que os compreendo e estava nessa posição há tão pouco tempo, me coloco à disposição para lembrar à todos o que acontece com todo o lixo que acumulamos. O que acontece é LIXO ACUMULADO! A embalagem da escova de dentes que eu comprei, o protetor do absorvente que eu uso, o papel higiênico que entre outras coisas eu assuo o meu nariz alérgico, a embalagem cheia de frescuras do meu aparelho de celular, o papel de seda que embrulhou a minha nova blusa, a caixinha do filme do João, a embalagem do shampoo, do creme, do sabonete líquido, as folhas de papel onde imprimi os rooming lists e instrutivos dos últimos eventos, alem das 1100 sacolas plásticas que protegiam as camisetas de brinde do evento que acabei de fazer. Tudo vira lixo. Tudo fica por aqui, espalhado na nossa vida, longe dos nossos olhos pra gente não ver, mas muito perto da nossa consciência quando a gente consegue prestar atenção.

É claro que nem tudo tá perdido. Hoje se fala muito mais nesse assunto do que ontem. A consciência se espalha.
São várias as empresas que estão tomando atitudes, como o grupo Pão de Açúcar que acabou de abrir, no estado de SP, o primeiro supermercado verde da América Latina. Lá, entre muitas outras coisas, o consumidor encontra o Caixa Verde. Na hora de pagar vc pode tirar seus produtos das embalagens que não precisam ser levadas pra casa e depositar num container que é enviado para reaproveitamento do material.
Mais informações clique aqui.

Fato é que muitos como eu se perguntam qual o percentual do lixo que pode ser reciclado, ou reaproveitado. A resposta é simples: praticamente tudo!
Então, porque não é feito? Porque, como determinam as leis do mercado, é preciso que haja demanda. É preciso ter empresas de reciclagens em quantidade e especialidades diferentes, que haja separação correta dos materiais em todos os segmentos da sociedade e é preciso ter destinação final, ou seja, mercado para os produtos.

Coleta-se aqui no Brasil, em média, 125 mil toneladas de resíduos domiciliares por ano e só uma pequena parcela é reciclada. O País perde quase cinco bilhões de reais por ano por não reciclar tudo que poderia. Reciclamos apenas 5% das embalagens de vidro (o Japão, por exemplo, chega a 55,5%) e 15% das embalagens PET que são transformados em fibras. São índices considerados muito baixos, principalmente quando comparado ao resto do mundo.
Reciclagem, segundo o blog da Comlurb, é o processo industrial que converte o lixo descartado em produto semelhante ao inicial ou a outro; processo que visa poupar energia; poupar recursos naturais e trazer de volta ao ciclo produtivo o que é jogado fora. É preciso começar a olhar o lixo como fonte de riqueza. Para reciclá-lo é necessário separá-lo, pelo menos retirando o lixo molhado – que são os resíduos orgânicos – do lixo seco.
É aí que entra o meu objetivo aqui. Somos responsáveis por nossas ações no mundo. Somos portanto responsáveis pelo lixo que acumulamos.
O que antecede à reciclagem é a nossa conscientização. É prestarmos atenção ao nosso consumo, afinal, reduzir consumo significa reduzir lixo. É mudando o consumo, que podemos contribuir para não mudar o clima do planeta.
Consciência ecológica é o primeiro passo. Se usamos uma bolsa de tecido, podemos economizar aproximadamente 6 saco plásticos por semana, ou seja, 24 sacos por mês, 288 sacos por ano e 22.176 sacos ao longo da vida. Se apenas 1 de cada 5 pessoas neste país fizesse isso, economizaríamos 1.330.560.000.000 sacos plásticos durante nossas vidas. Podemos comprar produtos com embalagens recicláveis, evitar a impressão de documentos desnecesarios, reaproveitar sobras de papel, abolir os copos descartáveis, comprar produtos com embalagens economicas, desperdiçar menos, e, principalmente, iniciar dentro de casa a prática da coleta seletiva. Algumas dicas:

SEPARAÇÂO DE MATERIAIS RECICLÁVEIS
O material da coleta seletiva é o lixo seco, ou seja, sem mistura de lixo orgânico, tais como restos de comida, restos de frutas, legumes e verduras, etc. O papel e o papelão também devem estar secos.
O material separado deve estar exposto em saco plástico transparente específico vendido em todos os supermercados.
A Comlurb faz a coleta deste lixo uma vez por semana. Para os cariocas, no site da Comlurb vc se informa sobre o dia da semana em que há coleta na sua rua (Atenção: escrever a rua principal que há perto da sua casa). Alem disso há diversas Cooperativas de Catadores de Lixo que também farão está coleta aleatóriamente.
O lixo será então separado em:
a) - Vidros: garrafas, frascos em geral, potes e copos;
b) - Papel/papelão: jornais, revistas, cadernos, folhas, papel laminado, sacos de papel, embalagens em geral, papelão;
c) - Metais: latas em geral, peças de alumínio, peças de cobre, fios, pequenas sucatas;
d) - Plástico: garrafas, frascos, brinquedos, sacolas, potes, tampas.
(Todos esses itens devem estar limpos para garantir a qualidade do produto.)


Mas temos que lembrar que, mesmo reaproveitados, chegará o momento em que todo este material vira lixo de novo e vai acabar em um aterro sanitário – por isso, atenção ao consumo, atenção à vida!

9 comentários:

Anônimo disse...

Bom, então vamos lá: adorei o post, não só por vc escrever como se estivesse conversando com a gente mas pelo assunto em si. Vc sabe que estudo Getsão Ambietal, portanto tb me preocupo com tudo isso.Sendo assim, vi aqui te indicar ( e a queminteressar possa!! ), o site de um grande homem, grande amigo e grande ser-humano chamado Julio e que tem hoje, uma das ongs mais funcionais do Rio no que diz respeito a reciclagem de lixo aliada a geração de empregos!! O site é www.doeseulixo.org.br!! O trabalho e engajamento deles é algo lindo e feito com amor, sem dúvidas. Até pq a iniciativa começou com o fato do Brasil ser um dos maiores 'reciclaores' de latinhas do mundo mas infelizmente a motivação por trás disso é um problema social...e isso não é correto. Enfim, dá uma olhada. Acho que vcs vão gostar muito e além do mais, qq um pode ligar pro Sr. Antônio ( um doa desempregados que foram beneficiados com o projeto ) e se cadastrar. Eles vêm na sua casa semanalmente buscar seu lixo!! Até porque a seleta coleitva da Comlurb ainda é bem seletiva MESMO!! Só funciona em algumas área do Rio...e vai, infelizmente, pro mesmo lixão. Beijo em vcs e boa viagem! Sabrina

Amelia Clark disse...

Sabrina, que dica excelente! Valeu! Beijos, Amelia

Anônimo disse...

Parabéns pela matéria...Estou vendo que vc está consciente da situação...Isso mesmo Amélia...Me fala se vc sabe...O que fazer com este lixo que está aí nas fotos...?
Queima, tritura, recicla..Fico curiosa nestes assuntos.
Onde posso saber sôbre os entulhos de obra..?
É um outro problema sério?
Me sinto responsável por ele quando faço uma demolição ...
Se alguém souber algo coloque no blog por favor...Muito Bom !!!! titia...beijosssssssss

Avante disse...

Amélia, gosto muito da forma simples e objetiva como vc escreve, ou melhor, como vc nos faz ver, sentir cheiros, de tudo aquilo que vc expõe em seu blog.

Eu separo tudinho aqui em casa, tento fazer com que vizinhos o façam, acredito que gestos e palavras tem muita força na mudança de atitude.

bjs e obrigada!!!!

Aline Gall

Miguel Gonzalez disse...

Muito bom artigo.

Amelia Clark disse...

Tia,
Com certeza não por acaso, a Sabrina deu uma super dica acima. Uma ONG que vai na sua casa buscar o lixo para ações sociais. Nao cuidam de todo o seu lixo, isso é responsabilidade de cada um, mas separam itens que podem ser usados. Acho que isso mais que se encaixa nos entulhos de obra que com certeza são reutilizáveis.
Dá uma ligada pra lá, ou passa um email pra se informar:
21 3287-3169
E-mail: atendimento@doeseulixo.org.br
Se puder, depois nos de um feedback.

A Sabrina menciona que a coleta seletiva da Comlurb ainda tá caminhando a passos de tartaruga. A ONG que ela indica pode ser uma excelente ajuda entao.

bjs!

Anônimo disse...

Obrigada Amélia...Eu soube por um vizinho que a COMLURB é lenta, e se vc coloca o lixo reciclavel numa lixeira de outra cor senão a laranjinha, eles não reconhecem como reciclável...
Vou ligar pra ong sim...Depois te falo...Que Bom estamos todos atentos...beijos, titia..

Anônimo disse...

Olha, como eu moro na baixada essa questão de alguém "pegar" o lixo reciclado é mole, mole! Lá em casa a gente separa jornal, latinha e garrafa pet e 1 vez por mes passa um senhor e leva tudo. Se vc colocar no lixo para o lixeiro levar ele mistura tudo, então de nada adianta. De qualquer forma o grande problema continua sendo o saco plástico. E não pense que a questão da conscientização está melhorando, pq eu canso de ver pessoas que sabem do malefício, mas não fazem nada por preguiça. Sisi

Anônimo disse...

Muito interessante a sua matéria e muito bem explicada.
Você sabe que o condomínio que a Mariana mora e a Hilda também: Morada do Sol, incentiva os moradores a separar o lixo? Tem até concurso do edifício que mais separou lixo reciclável. Eles colocam no quadro de avisos, parabenizando os moradores. Muito legal!
Até bem pouco tempo eu não havia pensado na importância da seleção de lixo, até que li matérias nos elevadores da Morada do Sol e comecei a pensar mais no assunto.
Temos que multiplicar o assunto e conscientizar as pessoas à nossa volta.
Valeu, meninos!
Bjos da tia Memey